
E o mundo é deles! As principais razões que levaram o Lakers a ser campeão!
16/06/2009
Quatro a um, uma goleada, não? Não! Apesar de o resultado final ter dado ao Lakers 4 vitórias contra apenas uma derrota, o Orlando Magic foi um adversário muito difícil e poderia facilmente ter vencido mais jogos, não à toa dois deles tiveram seu fim apenas na prorrogação.
Apesar de ser um time que tem muito a comemorar por toda a sua campanha surpreendente, notadamente durante os playoffs, o Orlando Magic tem muitos motivos também para ter sérias dores de cabeça, e não estou falando aqui da possível saída de jogadores importantes, como Hidayet Turkoglu e Marcin Gortat, mas dos erros táticos cometidos pelo time – e como time, leia-se: comissão técnica e jogadores -, que fatalmente lhe custaram senão um primeiro título da liga, uma final mais eletrizante ainda.

O momento mais importante de toda a série para o Orlando Magic, foi sem dúvidas a última posse de bola no 4º período do jogo 4, quando faltavam 4 segundos. Ali, o jogo acabara de ser empatado com a magnífica cesta de Derek Fisher, porém o Magic ainda tinha tempo suficiente para trabalhar um bom arremesso, quando o Magic resolveu reeditar a jogada que deu certo contra o Cavaliers – onde Rashard Lewis arremessou livre da zona morta, fazendo uma bola de três pontos que decidiu o jogo. O Lakers, experiente, percebeu antecipadamente a jogada e impediu Lewis de receber inicialmente a bola. Diante disso, a bola foi passada a Mickael Pietrus a uns 4 metros da linha de 3 pontos.
Quando Pietrus recebeu a bola, Turkoglu – que batera o lateral – partiu imediatamente para o corta-luz com o mesmo, sendo que a marcação do Lakers, em decorrência dos inúmeros bloqueios já estava completamente invertida, estando Gasol marcando Lewis, Kobe marcando Howard, Ariza marcando Turkoglu e Odom marcando o próprio Pietrus. Pois bem, após o corta-luz, tanto Odom quanto Ariza, acompanharam Pietrus, abrindo-se neste ponto a primeira possibilidade de passe do mesmo, ou seja, o homem que realizara o corta-luz, Turkoglu, que estava livre a pouco mais de um metro da linha dos três pontos, bastando dar um passo e arremessar livremente. Pietrus, entretanto, não optou por essa saída. Além disso, ao bater freneticamente como quem fosse infiltrar o garrafão do Lakers, Gasol, que estava marcando Lewis na zona morta, saiu um pouco da marcaçao, deixando Lewis com liberdade suficiente para receber a bola e mandar um arremesso de três do seu local predileto, onde seria apenas levemente contestado por Gasol, que não é um jogador tão rápido assim. Pietrus, mais uma vez, escolheu outra opção. No garrafão, dada a troca na marcação do Lakers, Dwight Howard estava quase embaixo da cesta sendo marcado por Kobe Bryant, mais de 10cm de altura e milhares de cm de músculo inferior a Howard. Como bem sabemos, Pietrus optou por arremessar desequilibrado e com dois excelentes marcadores contestando seu arremesso.
Impossível saber-se o que se passou naquele momento pela cabeça do mesmo, nem se pode culpá-lo por apenas uma jogada, entretanto, a filosofia “my way or the highway” nunca funcionou com esse time do Orlando Magic. O fato é que o Orlando Magic é um time que possui poucos jogadores com capacidade de criar o próprio arremesso e, dos titulares, apenas Turkoglu e Alston tem capacidade para fazê-lo, por isso é um time extremamente tático e que, na “hora H”, seu jogador decide passar por cima da tática e tenta criar seu próprio arremesso, levando um jogo praticamente vencido à prorrogação.
O fato é que o time do Magic perdeu aquele jogo e, ali mesmo, perdeu a série, se não matematicamente, psicologicamente. Talvez esse lance, aliás, essa análise, tenha sido feita da mesma forma pelo próprio Pietrus que, poucos minutos depois, descarregou toda sua frustração em Pau Gasol, protagonizando um lance bizarramente violento em face do qual a nba vergonhosamente preferiu se omitir, mas esse é um assunto para outra hora.
Superadas as questões circunstanciais, cabe agora um enfoque à parte tática da série em geral, não apenas de um jogo. No entanto, antes cabe uma breve ressalva de que com o argumento acima não queremos dizer em momento algum que o Magic venceria caso não tivesse cometido todos esses erros infantis, apenas enfatizamos os principais defeitos que não deveriam ter sido cometidos por um time que disputa uma final e que, se não cometidos, daria ao time que os cometeu, chances muito maiores de sucessos, sem garantias, entretanto, de vitória.
Pois bem, a questão é que essa série não foi perdida pelo Magic, mas principalmente vencida pelo Lakers, ou melhor, pela defesa do Lakers. Após o primeiro jogo da série, enfatizei a energia com que a defesa do Lakers havia se comportado, não permitindo os passes de Dwight para o perímetro, nem os arremessos sem contestação dos jogadores do Orlando. Continuo pensando que esse foi o fator decisivo da vitória do Lakers. Afinal de contas, todos conhecemos a força que uma bola de três pontos possui, embora valha apenas um ponto a mais, e, nessa força, há toda uma mística incluída que parece tornar mais fáceis os acertos por parte de todos os jogadores do time. Ou seja, quando um jogador acerta uma bola de três pontos, não apenas alavanca sua confiança, mas a do time inteiro e, caso esse time tenha talento nesse quesito, facilmente “encaçapa” uma cesta de três atrás da outra por diferentes jogadores. E o time de Orlando talvez seja o melhor exemplo atualmente dessa mística da bola de três. Aliás, a mesma mística que ajudou o Magic sobremaneira a vencer as outras séries dos playoffs, ajudou o Lakers a vencer no derradeiro jogo, quando o irregular Lamar Odom (leia-se: irregular no quesito três pontos) chegou a acertar três bolas em três tentadas, ajudando, logo após, Trevor Ariza encaçapar a sua tripla.
Então, essa mística da bola de três foi, com bastante mérito, praticamente tirada do time do Orlando Magic, posto que a disposição defensiva do Lakers era tamanha que era difícil mesmo para um ás como Rashard Lewis acertar suas bolas. Percebeu-se em certo momento que, mesmo quando livres, os jogadores do Magic pareciam incapazes de acertar com regularidade tais arremessos. Como sabemos que tais erros não eram por falta de técnica, supõe-se logicamente que tenha sido por causa da baixa confiança causada pela enérgica defesa do Lakers que jogava em “full throttle” o tempo inteiro. Aliás, para me fazer entender de forma mais clara, basta tomar emprestado o exemplo do futebol, onde um centroavante matador, a cada jogo que passa sem fazer gols, parece ter mais azar, perdendo gols mais claros que certamente faria caso sua confiança tivesse normal.
As bolas de três pontos levam a outro aspecto do jogo de Orlando, o garrafão, ou melhor, Dwight Howard. Quando o time não está acertando seus arremessos a solução lógica é ir para as bolas de segurança, com seus pivôs e, como o Magic joga praticamente sem Power Forward, seu garrafão se resume a Dwight Howard. E a defesa do Lakers no pivô mais dominante da liga foi simplesmente ultranjante. Como eu também falei no jogo 1, o Lakers fechou totalmente o acesso de Dwight à baseline, tornando obrigatoriamente seus arremessos mais distantes e mais fáceis de serem duplamente contestados, o que levou Howard a um aproveitamento de 50% em toda série, o que embora ainda seja um excelente aproveitamento, foi bem abaixo dos 65% da série contra o Cavaliers e dos 55% da série contra o Celtics (que, tendo 7 jogos a tendência seria de um aproveitamento menor ainda). Mais que o aproveitamento menor, a defesa do Lakers conseguiu ainda baixar a quantidade de arremessos tentados por Howard.
Já no aspecto comissão técnica, Phil Jackson deu um banho de “coaching” em Stan van Gundy. Voltando novamente às críticas ao jogo 1. Enquanto Phil comandava seu time como se estivesse a velejar sob o sol da Sardenha, Van Gundy parecia estar a comandar um navio em meio a uma tempestade em pleno oceano. Aliás, Van Gundy parecia mais um agricultor que planta as sementes e não espera as mesmas germinarem, colhendo os frutos antes do tempo e jogando novas sementes no mesmo solo. Com isso quero dizer, mais uma vez, que Van Gundy testou demais quando não deveria, insistiu demais em formações que não davam certo, enfim, fez uma salada só.

Mas não é justo com o Lakers analisar as finais apenas mostrando os defeitos do time de Orlando, pois o principal motivo da série ter acabado como acabou, foi a atuação do próprio Los Angeles Lakers.
Embora o time do Lakers não tenha aparecido com grande novidades táticas no ataque, seu maior mérito passa pela individualidade de seus atletas que souberam ser consistentes a série inteira, não ficaram apavorados quando poderiam ter deixado os jogos escaparem de suas mãos e tiveram confiança em si e nos seus companheiros nos momentos decisivos da série. Aliás, o trabalho de Phil Jackson e do próprio Kobe Bryant na questão emocional foi importantíssimo. Phil Jackson o tempo todo agindo como deveria com cada atleta, sendo como um pai àqueles que necessitavam de apoio e um desafiador àqueles que necessitavam de estímulo. E o trabalho de Phil Jackson começou desde a pré-temporada, tanto que Jim Cleamons, assistente técnico de Phil Jackson a anos, disse que há muito não via Phil Jackson cobrar tanto de um atleta como o fez com Pau Gasol nessa temporada. E a contribuição de Gasol foi imprescindível ao título do Lakers.
Aliás, quando se fala em contribuições individuais de um time como o Lakers, há que se fazer uma grande digressão a respeito, posto que o time individualmente falanto é extremamente versátil e completo.
Lamar Odom é um jogador extremamente talentoso, cotado quando novo para ser uma das maiores estrelas da nba e futuro grande rival de Kevin Garnett nas quadras. Odom não despontou como a estrela que se esperava que ele fosse, entretanto seu brilho, mesmo que diferente do esperado, é tão valioso quanto. Quando Odom supera o quesito inconsistência, torna-se faltamente um jogador perigosíssimo, tanto no setor ofensivo, quanto defensivamente. E talvez o principal fator para ele finalmente render o esperado tenha sido o “chá de banco” que Phil Jackson o obrigou a tomar durante a temporada inteira. O fato é que Odom, quando vinha para a quadra, trazia uma contribuição enorme ao Lakers, que rendia bem melhor que quando com sua line-up titular. Aliás, eu sempre tive a curiosidade de ver Phil Jackson tentando escalar Kobe, Ariza, Odom, Gasol e Bynum, nessa ordem; porém, não ouso ir contra uma escalação que deu certo e deixo minha aspiração somente para o campo das conjecturas.
Trevor Ariza foi outro grande negócio feito pelo time dos Lakers. Esquecido no banco do próprio Orlando Magic, e sendo àquela altura um dos jogadores mais “underrated” da liga. Kupchak acertou em cheio e trouxe a peça que faltava para o time funcionar perfeitamente. Em sua meia-temporada como titular, Trevor se mostrou um dos melhores defensores de perímetro da liga, com um “quickness” impressionante e desenvolveu um papel importantíssimo ao impedir que Turkoglu fizesse mais diferença ainda. Aliás, no quesito Ariza, Phil Jackson mais uma vez mostra sua habilidade como técnico. Quando Ariza chegou a L.A. ele era conhecido como um grande defensor e um “high flyer” (jogador bom nas infiltrações contundentes), mas um péssimo arremessador. Phil Jackson e seus assistentes, entretanto, trabalharam bastante a técnica e o psicológico de Ariza e, em apenas meia temporada, o transformaram num arremessador traiçoeiro. É impressionante constatar a evolução de Ariza no quesito arremesso, tanto que, meses atrás, lembro de uma entrevista do GM do Rockets que disse que em sua “cartilha de pontos”, quando um jogador como Ariza acertava uma bola de 3 pontos, deveria contar-se -3, de tão baixo que era o aproveitamento do mesmo nesse quesito (29%). A evolução de Ariza foi tão rápida que me leva a pensar que o mesmo sempre teve o talento do arremesso, bastava um estímulo psicológico e ter a confiança do técnico para arremessar à vontade e melhorar o psicológico de seus jogadores é justamente o que Phil Jackson faz.
Outro jogador importante nas finais foi Derek Fisher, que foi uma verdadeira fênix. Após a série contra os Rockets, onde teve um rendimento péssimo, principalmente por causa do confronto contra o velocista Aaron Brooks, Fisher foi praticamente descartado do coração do torcedor do Lakers, que esquecera daquele que foi o principal jogador do time no tri 99-00-01 depois de Kobe e Shaq. Porém, com as finais e atuações bastante consistentes, principalmente com os dois arremessos decisivos do jogo 4, Fisher mostrou que continua sendo uma figura importante, que está sempre ali para guiar seus companheiros e cuja estima do grupo por si é tamanha que, ao final da partida, percebi um: “This is ours, man! This is our title!” de Kobe Bryant para ele. O futuro de Fisher é incerto, não se sabe se ano que vem ainda poderá fazer tamanha diferença, mas o fato é que, mais uma vez, Fisher teve uma contribuição imensa para a vitória do time, tanto no fator extra-quadra, quanto no jogo em si.
Pau Gasol. Outro jogador que se encaixa, ou melhor, encaixava no conceito de um dos mais “underrated” da liga. Um all-star puro-sangue que nunca teve o reconhecimento devido. Gasol é um jogador tecnicamente quase perfeito, domina à beira da perfeição todos os fundamentos da sua posição. Prejudicado um pouco pela sua velocidade e seu físico um tanto magro, mas que compensa pela sua raça e obstinação. Gasol foi o jogador que sempre esteve ali, massacrando os adversários o tempo inteiro para que, na hora da verdade Kobe Bryant os nocauteasse. É injusto e mesmo impossível chamar um jogador como Gasol de coadjuvante, pois, sem sombra de dúvidas, Gasol tem tanta importância nesse título quanto Kobe e me arrisco a dizer que sem ele o Lakers não venceria o campeonato. Normalmente lembrado por sua técnica ofensiva, Gasol mostrou uma faceta defensiva até então desconhecida nessas finais, digna até de um membro do “All Defensive First team”. Completo em todos os aspectos, Gasol foi o homem por trás das cortinas, cujo espetáculo só foi possível por causa do seu incessante trabalho.

Ser comparado a Michael Jordan baseado em termos estatísticos já é uma grande conquista, ser comparado enquanto um jogador completo é uma dádiva. Se Kobe Bryant já batia há muito tempo à porta do Olimpo dos Deuses do Basquete, dessa vez certamente pode adentrar neste seleto recinto, colocando-se à mesma altura que nomes como Larry Bird e Magic Johnson. Kobe demonstrou nessas finais um amadurecimento imenso, principalmente quando comparado à época de seus primeiros títulos, mas também quando comparado ao ano passado. Nestas finais Kobe não se preocupou somente em marcar seus grandes números, mas em orientar seus companheiros, não deixar a confiança baixar e, mais importante, chamar para si os erros, mas dividir as glórias, trazendo para suas costas um peso do tamanho de um “grande macaco”, como ele mesmo disse. Kobe dispensa comentários, suas atuações estão aí e, assim como é desnecessário descrever a beleza de um quadro de Leonardo da Vinci, também o é descrever a genialidade de seu jogo.
Kobe superou a questão do título sem Shaq e estabeleceu-se, no imaginário de muitos, como o segundo maior jogador de todos os tempos. O reinado de Jordan até agora é insuperável, talvez se questione se Kobe chegar a seis títulos, mas, só o fato de haver comparação, já significa que estamos diante de um gênio.
O time do Lakers funcionou como uma orquestra, tendo Phil Jackson como o grande compositor de sua sinfonia. Entretanto, não podemos esquecer que a grande execução dessa obra prima se deve à genialidade de seu maestro, um dos maiores jogadores de todos os tempos, Kobe Bryant.
Parabéns, Lakers! O verdadeiro basquete não se joga somente dentro das quadras, mas dentro do cérebro!

Pena que tu começou o blog nas finais já Malka.
Postei 2 links no PVT sobre o Kobe que tu vai gostar, de uma olhada lá.
abs
SENSACIONAL!
Perfeito.
Nada a acrescentar.
fabuloso o blog …
demorou um pouco para descobri-lo
mas agora ja sei q existe, e acompanharei sempre!
Parabens